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Um lugar no Vale
Monday, 21 June 2010 17:04

Barra do Dudulha - Fontoura Xavier.


Localizada às margens do Rio Fão, em uma área pertencente ao município de Fontoura Xavier, está Barra do Dudulha. É local de divisa também entre os municípios de Progresso e Pouso Novo. A localidade é considerada histórica por causa do Combate do Fão, ocorrido em setembro de 1932, durante a Revolução Constitucionalista. A professora Leda Trombini e a filha Janaína, acadêmica do curso de História da Univates, se dedicam a pesquisar os fatos que marcaram o local. Com o marido da professora, Juarez Trombini, a família administra a casa comercial situada bem em frente do local do combate. A poucos metros está o cemitério onde estariam sepultados seis corpos de combatentes. ?Seguidamente chegam por aqui pessoas pedindo informações sobre o combate. São historiadores, pesquisadores, estudantes e até parentes de pessoas falecidas na revolução?, relata Leda. Segundo narrava um dos primeiros moradores, o comerciante Guilherme Trombini, por volta do ano de 1900, a localidade era local de passagem e pouso para viajantes que se dirigiam de Lajeado a Soledade. Ela cita, entre os pioneiros, as famílias Bacci, Stürmer, Bagatini e Trombini. Hoje a comunidade está reduzida a pouco menos de 30 pessoas, distribuídas em sete famílias. Um sonho da educadora é a instalação de um museu para abrigar objetos e documentos do combate. O prédio da escola desativada já estaria destinado para esse projeto. A enxurrada do início do ano por pouco não destruiu os vestígios que restam da revolução. Ficou tudo embaixo dágua. A ponte sobre o Rio Fão foi destruída mas, por sorte, o cemitério histórico ficou em pé, relata Leda. A Revolução Constitucionalista de 1932 foi um movimento deflagrado em São Paulo, mas que teve adesões no Rio Grande do Sul. Nos Vales do Taquari e Rio Pardo, vários voluntários se prepararam para integrar as forças de Soledade. Um contingente da Brigada Militar subiu pelo Rio Taquari para conter o foco revolucionário. Conforme o historiador e professor José Alfredo Schierholt, a marcha teve início em 11 de setembro de 1932. No mesmo dia, o Regimento Militar, encarregado da segurança do palácio do governo, subiu pelo território que hoje pertence ao município de Marques de Souza, ladeando a margem direita do Rio Fão, em direção a Barra do Dudulha. Schierholt observa que os primeiros confrontos aconteceram no final da tarde de 12 de setembro de 1932. ?No dia seguinte, o tiroteio recomeçou em meio à cerração e à chuva, com os revoltosos escondidos na mata e liderados pelo General Candoca, à margem esquerda do Rio Fão, para enfrentar a Brigada Militar, fortemente armada. Foi nessas circunstâncias que aconteceu o Combate do Fão, no qual os constitucionalistas tiveram que se render, relata o professor. Do lado dos revolucionários houve quatro mortes, inclusive a de um voluntário muito conhecido, o "Gigante". O regimento perdeu dois oficiais e três praças. Alguns mortos foram sepultados no local do combate, onde ainda restam vestígios do cemitério. Em outros registros, consta que o padre da comunidade de Bela Vista do Fão, o frei franciscano Tiago Scheffers, foi ao campo de batalha e encontrou corpos de cinco revolucionários e inúmeras covas com cadáveres dos soldados. Conta-se também que uma caixa com armas estaria no fundo de um poço no Arroio Dudulha. Uma canjerana ainda guarda sinais dos tiros que recebeu. O certo é que muito ainda há para se pesquisar sobre o assunto. Colunas anteriores estão em umlugarnovale.blogspot.com
Por: Alício de Assunção em "O Informativo do Vale.

 

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