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Patrimônio cultural: que importância tem?
Foi comemorado, na última terça-feira, o Dia Nacional do Patrimônio Histórico. A data passou a ser celebrada em 1998, quando o historiador e jornalista mineiro Rodrigo Mello Franco de Andrade (1898-1969) completaria 100 anos.
Em 1937, ele fundou o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Entretanto, a data comemorativa não faz referência à legislação que criou o instituto nem a uma obra específica, mas sim ao homem que dedicou sua vida a preservar o patrimônio cultural brasileiro. Isso comprova que não há preservação ou patrimônio cultural sem a ação humana.
Algumas cidades não se preocupam com esse assunto por entender que seus prédios, ou mesmo sua história, não contemplam grandes acontecimentos que possam despertar o interesse das pessoas. Com certeza, se engana quem pensa dessa forma. Toda comunidade tem uma história que não precisa, necessariamente, ter passado por grandes revoluções ou possuir monumentos históricos. Os locais recebem as marcas dos grupos que os ocuparam, e cada aspecto, cada detalhe desse lugar tem um sentido que só é compreensível para os membros desses grupos. Essas marcas ficam registradas e são revisitadas por meio da memória. Daí a importância de preservá-los. Conforme Nora (1993), esses lugares são destinados a marcar e ampliar a memória, e, para ele, memória e história não são sinônimos: a memória é a vida, sempre carregada por grupos vivos, a história é a reconstrução sempre problemática do que não existe mais.
Por mais legislações ou penalidades que se imponham, se a comunidade não reconhecer a importância desses lugares, sejam prédios, rios, ruas, praças, paisagens ou objetos, eles tendem a desaparecer. E, sem a identificação de um valor qualquer, seja mágico, econômico, simbólico, artístico, histórico, científico, afetivo ou cognitivo, a preservação não será deflagrada, ainda que exista o perigo de destruição. Da mesma forma que aquilo que se apresenta como perigo para uns pode não ser percebido desse modo por outros.
O caminho para o reconhecimento passa pela educação patrimonial ou, como cita a museóloga Maria de Lourdes Horta, por “um instrumento de alfabetização cultural, que possibilita ao indivíduo fazer a leitura do mundo que o rodeia, levando-o à compreensão do universo sociocultural e da trajetória histórica-temporal em que está inserido”. Assim, reconhecer a cidade como patrimônio implica educar o olhar, aprender com as experiências dos pais, e não o inverso, que nos parece tão “normal”.
Por Ana Lúcia Pretto, coordenadora do Núcleo de Cultura de Lajeado www.informativo.com.br |